MediaTek lança o primeiro chip de smartphone de 2nm Dimensity 9600 Pro antes da Qualcomm (QCOM.US), com desempenho de IA aprimorado no dispositivo.
A batalha dos chips de celular de 2nm começou: MediaTek faz a primeira jogada, Qualcomm segue, e TSMC domina tudo.
De acordo com notícias da app do Financeiro Zhihui, a MediaTek lançou nesta terça-feira um novo chip para smartphones construído com o processo de fabricação mais avançado da TSMC (TSM.US), de olho no mercado de smartphones topo de linha — seus produtos semicondutores possibilitam que mais funções de IA rodem diretamente no dispositivo. Esta ação faz parte da estratégia global da MediaTek para disputar o mercado dos smartphones premium com a concorrente americana Qualcomm (QCOM.US). Neste segmento, aparelhos mais caros e funções de IA proporcionam melhores margens para os fabricantes de chips.
Primeiro flagship de 2nm, uma semana adiantada
A MediaTek afirma que o Dimensity 9600 Pro é seu primeiro processador móvel fabricado com o avançado processo de 2 nanômetros da TSMC. A empresa também anunciou o Dimensity 9600M, produzido com o processo de 3 nanômetros da TSMC, visando um mercado mais amplo de smartphones topo de linha. Os primeiros smartphones equipados com esses chips serão lançados em breve, já tendo fornecido para fabricantes como Xiaomi, OPPO e vivo na China.
Segundo o comunicado oficial da MediaTek, o Dimensity 9600 Pro adota uma arquitetura de CPU totalmente de grandes núcleos 2+3+3 (sendo 2 núcleos C2-Ultra de até 4,55GHz), equipado com 34,5MB de cache, sendo o primeiro a suportar memória LPDDR6 e armazenamento UFS 5.0; o desempenho em núcleo único aumentou 17% e o desempenho multinúcleo aumentou 15% em relação à geração anterior, com economia de 61% no consumo multinúcleo em desempenho máximo.

IA é o foco destes chips: o 9600 Pro integra uma arquitetura dupla de NPU, com a "NPU de super desempenho" podendo rodar localmente modelos Mixture of Experts (MoE) de até 30 bilhões de parâmetros; a "NPU de super eficiência" combinada ao sensor central reduz o consumo continuamente em 40%.
O 9600 Pro contém um processador dedicado de IA (NPU) e a MediaTek afirma que ele processa aplicações generativas de IA mais complexas no próprio telefone — essa NPU melhorou em 51% o processamento de prompts do usuário (a etapa de pré-preenchimento antes do modelo de IA gerar a resposta), comparado à geração anterior.
O momento do lançamento é uma jogada estratégica meticulosamente planejada. Na próxima semana (22 a 24 de setembro), a Qualcomm realizará o Snapdragon Summit, onde lançará o Snapdragon 8 Elite Gen 6 — também utilizando o segundo processo de 2nm (N2P) da TSMC. Assim, pelo segundo ano seguido, a MediaTek antecipa o lançamento de seu flagship em relação à Qualcomm. Pontuações vazadas mostram que o Dimensity 9600 Pro tem score single core no Geekbench 6 entre 4100 e 4300, já se aproximando dos chips desenvolvidos pela Apple (ainda não confirmado oficialmente). Conforme rumores da cadeia de fornecimento, a série vivo X500 (lançamento no final de setembro) e a OPPO Find X10 serão os primeiros a adotar o Dimensity 9600.
Ambições de participação em meio à onda de altas de preços
O preço é o outro lado desta disputa. O vice-presidente sênior da MediaTek, Xu Jingquan, disse que a empresa está trabalhando com fabricantes de celulares para limitar o impacto do aumento dos custos dos componentes para os consumidores — a onda de IA está pressionando a cadeia de fornecimento. Mas ele também vê uma oportunidade: à medida que o hardware avançado e as novas funções de IA tornam preços mais altos cada vez mais comuns, "à medida que o mercado geral caminha para faixas de preço mais altas, acredito que ainda temos espaço para ganhar participação no segmento topo de linha".
O pano de fundo é a contínua escalada no preço dos topos de linha: na semana passada, a Apple lançou o novo iPhone dobrável, cujo modelo com maior capacidade de armazenamento custa até US$ 3.199 nos Estados Unidos. Conforme noticiado antes, a MediaTek já havia anunciado ajustes estratégicos de preço e produção para manter as margens — analistas alertam que, à medida que a complexidade dos wafers e o preço da memória sobem, os preços dos chips premium devem aumentar significativamente. A solidez da MediaTek tem respaldo: o valor de mercado da empresa já superou o da Qualcomm no início deste ano.
O momento de "domínio total" da TSMC
Independentemente de quem vencer esta rodada, MediaTek ou Qualcomm, o vencedor na fabricação já está claro. O processo de 2nm (N2) da TSMC já estará em produção simultânea em Hsinchu e Kaohsiung no quarto trimestre de 2025, com rendimento acima de 80%, superando em muito as expectativas do setor; o segundo processo de 2nm (N2P) entrará em produção este ano, reduzindo o consumo em mais 5%-10% ou melhorando o desempenho em 5%-10% em relação ao N2. Dados do setor mostram que o processo de 2nm oferece cerca de 10%-15% mais desempenho com o mesmo consumo em relação ao de 3nm, ou cerca de 25%-30% de redução de consumo para o mesmo desempenho.
Capacidade restrita
No final de 2025, a capacidade mensal de 2nm da TSMC será de apenas cerca de 15–20 mil wafers, prevista para expandir para 80–100 mil wafers até o final de 2026; para atender à demanda, a TSMC planeja construir 10 fábricas de 2nm em Taiwan e nos Estados Unidos. Segundo relatos, a Apple já garantiu mais da metade da capacidade inicial de 2nm — sendo essa uma das razões reais para a Qualcomm e a MediaTek apostarem no N2P. O Morgan Stanley prevê que, em 2026, o processo N2 da TSMC terá entre 90% e 95% do mercado de 2nm.
O A20 Pro da Apple utiliza o processo N2 de primeira geração, enquanto o Dimensity 9600 Pro salta diretamente para o N2P — análises de terceiros sugerem que o desempenho já superou os chips da Apple do mesmo período que usam N2.
A jogada maior da MediaTek: dos smartphones aos data centers
Além dos chips para celulares, a estratégia de IA da MediaTek avança rapidamente. Uma das maiores projetistas de chips para smartphones do mundo, a empresa expandiu sua atuação em IA para data centers e produtos de chips personalizados — empresas de tecnologia vêm investindo bilhões em infraestrutura de IA. O primeiro acelerador de IA projetado para um grande provedor americano de serviços em nuvem deve entrar em produção em massa no quarto trimestre deste ano.
Os movimentos no âmbito de capital também chamam a atenção: no mês passado, a MediaTek captou US$ 3,9 bilhões em uma emissão de dívida conversível, com a NVIDIA comprando US$ 3,5 bilhões em participação, e a Alphabet, controladora do Google — parceira de longa data em infraestrutura de IA — também participou da emissão. Em 31 de agosto, NVIDIA e MediaTek anunciaram juntas o aprofundamento da colaboração de longo prazo para criar uma plataforma de computação de IA do edge à cloud.
Uma semana após a ASML confirmar que as encomendas de equipamentos de litografia estão preenchidas até 2027 e com o Bernstein ainda debatendo a sustentabilidade dos gastos em IA, o lançamento deste chip de 2nm da MediaTek é mais uma prova tangível da "corrida armamentista do hardware de IA" — pelo menos nas linhas de produção da TSMC, ninguém está pensando em pisar no freio.
Disclaimer: The content of this article solely reflects the author's opinion and does not represent the platform in any capacity. This article is not intended to serve as a reference for making investment decisions.
You may also like

Meta (META.US) aumenta o investimento em chips de IA próprios! Implantação de centros de dados na primeira metade do próximo ano, visando reduzir custos e consumo de energia na inferência
A Meta Platforms planeja implantar sua nova geração de chips de inteligência artificial desenvolvidos internamente em seus data centers no primeiro semestre de 2027, visando reduzir o consumo de energia e os custos necessários para operar modelos de IA por meio de chips personalizados.



