Unindo forças sob a pressão das tarifas de Trump? União Europeia propõe que o Canadá seja o primeiro “quase-membro”
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs que o Canadá se torne o primeiro "quase membro" da União Europeia.
Segundo informações da APP de Finanças Inteligentes, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs que o Canadá se torne o primeiro "quase-membro" da União Europeia. A proposta foi feita durante um discurso de von der Leyen na quarta-feira em Estrasburgo, França, com a presença do primeiro-ministro canadense, Mark Carney. Von der Leyen afirmou: "Neste novo mundo, precisamos urgentemente reinventar nossas parcerias e construir alianças globais para fortalecer nossa resiliência e preservar nossas instituições democráticas. Espero trabalhar com vocês para abrir a porta que permitirá ao Canadá se tornar o primeiro quase-membro da União Europeia."
Ao criar uma identidade sob medida especificamente para o Canadá, a União Europeia, enquanto bloco comercial, está enviando um forte sinal de que, mesmo após a saída do Reino Unido com o Brexit, pode ultrapassar suas próprias fronteiras, expandindo-se ainda mais e se reinventando.
No entanto, o significado prático dessa proposta é outra questão, pois as negociações podem levar anos. Vale notar que isso também oferece ao Reino Unido um caminho para reconstruir seu relacionamento com a União Europeia, mas o Canadá estará à frente do Reino Unido na definição do que especificamente significa ser "quase-membro".
Tornar-se um membro pleno da União Europeia exige passar por um processo de adesão extenso, incluindo uma série de direitos, como acesso ao mercado único, bem como obrigações financeiras, fiscais e legais. Atualmente, não há precedentes de países quase-membros. No início deste ano, propostas de conceder à Ucrânia um "membro leve" foram fortemente contestadas por muitos membros do bloco.
No entanto, países como Islândia, Noruega, Liechtenstein e Suíça estabeleceram acordos especiais com a União Europeia em áreas como livre circulação de mercadorias e pessoas. A Islândia recusou, há duas semanas, reiniciar negociações para uma adesão plena à União Europeia.
Carney alertou, no início deste ano, que a "ordem internacional baseada em regras" já estava praticamente morta e, em diversas ocasiões, pediu que os chamados países de médio porte se unissem para resistir às pressões e intimidações impostas pelas grandes economias globais. Anteriormente, foi relatado que esses aliados transatlânticos estão negociando a criação de uma nova aliança para garantir a segurança mútua.
Von der Leyen também discutiu o fortalecimento da cooperação com o Canadá nos setores de manufatura, tecnologia, defesa e energia, e mencionou o Ártico como o "projeto conjunto emblemático" entre as duas partes.
Após sofrer impactos econômicos decorrentes da guerra comercial com os Estados Unidos, o governo canadense tornou prioridade aprofundar seus laços com a União Europeia e outros parceiros. No mês passado, após o término das negociações entre os EUA e o Canadá, o presidente dos EUA, Donald Trump, impôs uma nova tarifa de 50% sobre 20 bilhões de dólares em mercadorias importadas do Canadá. O primeiro-ministro canadense, Carney, retaliou rapidamente impondo tarifas sobre produtos manufaturados americanos em valor semelhante. Os Estados Unidos já haviam ameaçado a União Europeia com tarifas, e apesar de um acordo comercial firmado em julho do ano passado, o consenso é de que ele favorece fortemente os EUA.
Fontes afirmam que a prioridade do Canadá, no momento, é concluir o processo de ratificação do Acordo Econômico e Comercial Global (CETA) entre a União Europeia e o Canadá. Esse acordo foi concluído há 10 anos, mas, segundo pessoas próximas às discussões, ainda precisa de aprovação formal por parte de 10 países europeus.
Questões pendentes entre Canadá e União Europeia incluem divergências sobre a coordenação de instrumentos de precificação de carbono para produtos importados pelo bloco europeu, regulamentações anti-desmatamento e normas relativas a pesticidas.
Relatórios anteriores indicam que autoridades da União Europeia veem potencial em estabelecer uma relação ainda mais próxima com o Canadá do que com o Reino Unido. Em sua avaliação, o Canadá tem implementado com sucesso uma chamada "agenda de soberania" nas áreas econômica e de defesa — e essa experiência pode inspirar os esforços do próprio bloco para reduzir dependências externas. Além disso, o Canadá não carrega o peso do Brexit que limita o Reino Unido.
Diferentemente do Reino Unido, o Canadá já está autorizado a participar do programa SAFE. O SAFE é um projeto de empréstimo para aquisição de defesa da União Europeia no valor de 150 bilhões de euros (173 bilhões de dólares).
Fontes afirmam que Canadá e União Europeia esperam avanços até a cúpula agendada para outubro, em Montreal. Nesse encontro, as partes podem assinar um acordo digital de comércio que está sendo elaborado. Von der Leyen declarou: "Europa e Canadá acreditam na democracia. O poder não pertence aos mais fortes, mais ricos ou aos que falam mais alto."
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