Mídia internacional: disputa sobre os rendimentos das stablecoins nos EUA volta a impactar a legislação
A discussão nos Estados Unidos sobre os rendimentos de stablecoins não terminou com a implementação da Lei GENIUS. Segundo mídia internacional, grupos de lobby do setor bancário recentemente pressionaram novamente o Congresso para tornar as regras mais rígidas, se opondo a que plataformas de criptoativos ofereçam aos detentores de stablecoins retornos próximos aos juros de depósitos, uma divergência que já afeta o avanço do "Clarity Act" no Senado.
Controvérsia concentrada nos rendimentos que desviam depósitos
A principal preocupação do setor bancário é que, se plataformas de stablecoins puderem pagar rendimentos mais altos aos usuários, parte dos recursos pode migrar dos depósitos de baixo rendimento para stablecoins, enfraquecendo assim a capacidade dos bancos de captar depósitos e conceder empréstimos. O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, já declarou publicamente que os requisitos regulatórios enfrentados pelos bancos e pelo setor de stablecoins não são equivalentes.
O artigo menciona ainda que o setor bancário quer que o Congresso esclareça ainda mais as restrições, proibindo não só que emissores de stablecoins paguem diretamente rendimentos aos detentores, mas também fechando brechas através das quais retornos são oferecidos de forma indireta, como via plataformas de negociação ou acordos de distribuição de taxas.
GENIUS já vigente, Clarity ainda em disputa
A Lei GENIUS, aprovada no ano passado, já estabeleceu normas federais para emissão de stablecoins nos Estados Unidos. Pela legislação atual, emissores de stablecoins não podem pagar rendimentos diretamente aos detentores, mas o texto não deixou completamente claro se plataformas como exchanges podem criar mecanismos de recompensa para usuários.
Por isso, o setor bancário busca restringir ainda mais a redação via "Clarity Act". O artigo aponta que, embora ambos os partidos tenham aceitado versões de compromisso anteriormente, a questão dos rendimentos de stablecoins foi retomada pelo setor bancário este mês e acabou se tornando um dos principais focos de pressão sobre a proposta. Caso o projeto não obtenha o apoio necessário no Senado até meados de setembro, o atual quadro regulatório provido pelo GENIUS continuará vigente.
Baixos juros bancários se tornam alvo de críticas
O setor cripto rebate, dizendo que o argumento dos bancos de que "depósitos vão migrar em massa" não tem respaldo na realidade. Entre os dados apresentados: a taxa de juros da conta poupança comum do JPMorgan está em torno de apenas 0,01%, enquanto produtos semelhantes ofereciam taxas acima de 4% há 20 anos. Em um cenário de inflação em torno de 3,4% ao ano, mesmo com algumas aplicações de prazo fixo oferecendo cerca de 3,25% de retorno, o poder de compra real tende a cair.
- Taxa de rendimento da poupança comum do JPMorgan em torno de 0,01%
- Alguns programas de recompensa de stablecoin rendendo entre 3,5% e 3,75%
- Lucro do setor bancário norte-americano chegou a 80,5 bilhões de dólares no primeiro trimestre de 2026
Em contrapartida, algumas plataformas nos Estados Unidos oferecem retornos acima de 3,5% a 3,75% em projetos específicos de stablecoins. O setor cripto acredita, portanto, que os bancos não estão sob pressão por não conseguirem competir, mas sim porque mantêm há muito tempo um modelo de depósitos de juros baixos, ao mesmo tempo em que seguem altamente lucrativos.
Pode haver definição até meados de setembro
Segundo o artigo, a próxima rodada de discussões no Senado definirá os rumos dessa disputa no curto prazo. De um lado, o setor bancário busca limitar as recompensas de stablecoins com uma legislação mais severa; de outro, se o "Clarity Act" for barrado, o setor cripto pode continuar tentando ampliar seus produtos dentro do atual arcabouço do GENIUS.

O desfecho desse debate impacta não só se as plataformas de stablecoins conseguirão transformar "holding com retorno automático" em um produto mainstream, mas também como os Estados Unidos irão delimitar a fronteira entre stablecoins e os depósitos bancários tradicionais.

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