Por que as ações de tecnologia ficam “mais baratas à medida que sobem”? Valorização é sustentada por saltos de 80% nos lucros; caso expectativas de IA não se concretizem, elas ficam caras instantaneamente
Normalmente, os mercados em baixa precisam recorrer a medidas drásticas para derrubar os preços das ações e torná-las mais baratas. No entanto, as ações de tecnologia encontraram outro caminho.
O APP da Zhihong Finance observa que, em mercados de baixa, normalmente é necessário aplicar medidas rígidas para despencar o preço das ações e torná-las mais baratas. Contudo, as ações de tecnologia encontraram outro caminho.
No ponto mais baixo deste mês de julho, o índice preço/lucro projetado para ações de tecnologia (ou seja, o preço pago pelos investidores pelos lucros esperados) caiu cerca de 30% em relação ao ano anterior – uma queda vista durante o estouro da bolha da internet e também na crise financeira.

Mas, desta vez, o índice S&P 500 está próximo de seu recorde histórico. Esse momento torna a situação ainda mais peculiar.
O fundo setorial de tecnologia SPDR teve uma recuperação vigorosa desde seu ponto mais baixo em 30 de março. Considerando sua variação em 45 dias (ou seja, a mudança no preço nos últimos 45 pregões), esta foi a alta mais forte já registrada pelo XLK desde 1999.
No caso do índice de semicondutores de Filadélfia, olhando para dados históricos desde 1994, apenas o salto de março de 2000 foi mais intenso que o atual.

Então, como é que as ações conseguem subir tanto e, ainda assim, ficarem mais baratas?
Vamos supor uma ação cotada a 100 dólares, com lucro esperado de 5 dólares. O investidor paga 20 dólares para cada 1 dólar de lucro previsto, ou seja, o índice preço/lucro projetado é de 20 vezes.
Se essa ação estiver cotada 40% acima, atingindo 140 dólares, à primeira vista parece estar mais cara.
Mas suponha que o lucro esperado tenha um aumento acentuado de 80%, chegando a 9 dólares. Agora, para cada dólar de lucro projetado, o investidor paga apenas cerca de 16 dólares.
A cotação subiu, mas a ação ficou mais barata.
Fenômenos semelhantes vêm acontecendo em todo o setor de tecnologia. No último ano, os preços das ações de tecnologia subiram cerca de 40%, enquanto o lucro esperado saltou em torno de 80%. O crescimento dos lucros superou a valorização das ações.
No mercado de baixa, normalmente este equilíbrio ocorre de forma dolorosa. Preços despencam, recessão econômica reduz as perspectivas de lucros e o otimismo dos investidores se dissipa. Quando a poeira assenta, compradores geralmente conseguem adquirir lucros sobreviventes por preços muito menores.
Isso ajuda a explicar por que algumas das recuperações mais vigorosas costumam começar quando as manchetes econômicas ainda soam muito negativas. Antes que a economia de fato se recupere, o mercado de ações já precifica essa retomada.
Desta vez, porém, as ações de tecnologia absorveram a maior parte dos benefícios, sem arrastar o mercado inteiro para um cenário de destruição.
Mas existe uma forma óbvia desse cenário desmoronar.
Apenas se esses lucros previstos realmente se concretizarem, o índice preço/lucro mais baixo poderá ser mantido.
Grandes empresas de tecnologia estão investindo fortunas em chips, data centers, redes e energia elétrica. Investidores já questionam quem, de fato, sairá lucrando nessa onda de gastos com IA — e quem vai acabar assumindo o prejuízo.
Se houver excesso de capacidade em IA, desaceleração nos gastos dos clientes, queda de preços dos chips ou choques econômicos que comprimam os orçamentos de tecnologia das empresas, analistas podem começar a reduzir suas projeções de lucros para o futuro.
Nesse momento, o processo se inverte.
Tomando o mesmo exemplo: uma ação cotada a 140 dólares, com lucro esperado de 9 dólares, apresenta um índice preço/lucro de cerca de 16 vezes. Se o lucro esperado cair para 6 dólares, sem alteração da cotação, o índice preço/lucro salta abruptamente para mais de 23 vezes.
A ação em si não mudou, mas ficou muito mais cara repentinamente. Agora, a aposta altista depende de um único fator: os lucros precisam se concretizar.
Aviso Legal: o conteúdo deste artigo reflete exclusivamente a opinião do autor e não representa a plataforma. Este artigo não deve servir como referência para a tomada de decisões de investimento.
Talvez também goste
Bank of America: S&P 500 está formando uma bandeira de alta durante a consolidação, com alvo de longo prazo ainda acima dos 8.000 pontos
Os analistas técnicos do Bank of America mantêm uma visão otimista sobre a tendência de alta de longo prazo e acreditam que o índice S&P 500 pode ultrapassar os 8.000 pontos, apesar de uma série de desafios recentes no mercado e no cenário macroeconômico estarem testando a confiança dos investidores.

A empresa de biotecnologia Electra Therapeutics (ETRA.US) define preço do IPO entre US$ 14 e US$ 16 por ação e pretende levantar US$ 325 milhões.
A Electra Therapeutics planeja emitir 21,7 milhões de ações a um preço entre 14 e 16 dólares por ação, visando arrecadar 325 milhões de dólares.

Carlyle (CG.US) investe novamente em energia e adquire Parallax por 1.1 bilhões de dólares canadenses
A nova empresa criada pela Carlyle planeja adquirir a Parallax por aproximadamente 1.1 bilhões de dólares canadenses, continuando a expandir seus ativos de petróleo leve no Canadá.

Bernstein: Caso o desenvolvimento de modelos de IA desacelere, a CoreWeave (CRWV.US) pode ser a mais impactada
A Bernstein afirmou que o apelo dos grandes players do setor para desacelerar o treinamento de modelos de inteligência artificial (IA) pode ter um impacto negativo sobre desenvolvedores de data centers e novos provedores de serviços em nuvem, sendo a CoreWeave uma das empresas potencialmente mais afetadas.

