O Combined BHP Ports Unions disse nesta terça-feira que não conseguiu chegar a um acordo com a BHP BHP.AX sobre um acordo salarial para os trabalhadores nas operações de Port Hedland, na Austrália Ocidental, e que as duas partes deverão retomar as negociações em 25 de agosto.
A empresa passou meses na mesa de negociações com os sindicatos que representam cerca de 450 operadores e trabalhadores de manutenção sobre um novo acordo salarial. A BHP emprega mais de 800 pessoas no porto.
“Na reunião de hoje, a BHP apresentou uma proposta que não atende de forma adequada às preocupações das pessoas cujo trabalho árduo gerou esse lucro de 13 bilhões de dólares”, afirmou o sindicato, acrescentando que os trabalhadores vão consultar seus representantes eleitos sobre opções, inclusive propostas alternativas.
Um porta-voz da BHP disse à Reuters que a empresa continua “comprometida a negociar de boa-fé e acredita que todas as partes envolvidas, por meio da Comissão, é a melhor forma de alcançar um acordo justo e razoável.”
O porta-voz acrescentou que a BHP ofereceu um aumento salarial de 16% para a maioria dos funcionários do porto durante a vigência do acordo proposto de quatro anos, além de aumentos em alguns benefícios.
A BHP divulgou lucros anuais melhores do que o esperado, de 13,20 bilhões de dólares, mais cedo no dia, e declarou o maior dividendo anual em quatro anos.
Alguns funcionários da BHP em Port Hedland, o maior centro exportador de minério de ferro do mundo, realizaram uma segunda paralisação planejada no início deste mês, como parte da primeira grande ação trabalhista no local em 25 anos.
Cerca de 150 trabalhadores aderiram à greve de dois dias em 8 e 9 de agosto no porto, que embarca cerca de 80 milhões de dólares em minério de ferro por dia.
No entanto, o CEO da BHP, Brandon Craig, disse que não espera que a ação trabalhista afete o desempenho da empresa.
Os sindicatos afirmaram que os trabalhadores buscam garantias executáveis para salários e condições. Eles argumentam que o calor extremo, as longas jornadas e o tempo longe da família significam que não deveriam receber salários inferiores aos de trabalhadores nas cidades.
Os trabalhadores da mineração estão entre os mais bem pagos da Austrália, com profissionais do setor de recursos que vivem na Pilbara ganhando, em média, 191 mil dólares australianos em 2023-24, segundo pesquisa da associação Chamber of Minerals and Energy.
(Reportagem de Sneha Kumar em Bengaluru; Edição de Sonia Cheema)


