Registro da Conferência TMT do Goldman Sachs: principais clientes da OpenAI usam 8 vezes mais do que clientes comuns; "cobrança por resultados" substituirá "cobrança por token"
Ontem, Goldman Sachs e Citi realizaram simultaneamente suas conferências de TMT. Aqui estão alguns trechos destacados do GIR. Desta vez, o volume de informações é grande e ambas as conferências ainda estão em andamento. Continuaremos trazendo para vocês as últimas notícias em primeira mão.
TMTB: Astra também recebeu muita atenção no fim de semana, embora o consenso inicial seja de que, além de modelagem 3D, raciocínio espacial e alguns outros casos de uso, ainda não atingiu uma melhoria disruptiva total em relação ao Fable 5.1. Mais importante, considerando a sequência e ritmo de lançamentos de modelos antes do DevDay da OAI em 29 de setembro (Grok 4.7, Fable 5.1, Watermelon da META, etc.), os investidores parecem mais tranquilos com o caminho até setembro.
Enquanto isso, estamos vendo esses modelos ganhando aplicações concretas em tarefas corporativas via Grok Bot, e no consumidor final com o Instinct, enquanto o novo Muse da META também entrou nesse rol hoje.
A leitura otimista no setor de semicondutores é: se ferramentas melhores permitem que a inteligência seja útil em mais tarefas, talvez não seja necessária uma melhoria disruptiva de inteligência; isso pode proporcionar o próximo grande caso de uso, tão aguardado pelos investidores de semicondutores, depois da programação.
openai: O tom geral é otimista, dentro do esperado, porém sem muitas novidades em relação aos dados…
O foco está no mercado corporativo. Consumidor: proporção entre consumidor e corporativo que era de 60:40 no início do ano, chegou a 50:50 no meio do ano. Receita anualizada de julho cresceu +20% mês a mês, receita corporativa +32%, com base já elevada. O novo dado relevante é a intensidade de uso: os 10% principais clientes corporativos usam 8 vezes mais tokens do que clientes comuns (antes eram 3 vezes), e internamente na OpenAI esse número chega a 33 vezes. Friar define essas 33 vezes como uma prévia do futuro dos clientes atuais, significando que o crescimento no segmento corporativo não depende de novos clientes, mas do aumento de consumo por cliente. O Codex cresceu de 100 mil para 25 milhões de usuários, e todo o código do Canva é gerado pela OpenAI, ilustrando essa tendência.
Modelos: o foco não está no custo por token, mas sim no custo por tarefa; para o mesmo resultado, o modelo da OpenAI requer 68% menos tokens do que concorrentes. A resposta sobre abertura de pesos foi mais agressiva: Luna, rodando na Cloudflare, é mais barata que GLM 5.3, ou seja, os laboratórios de ponta conseguem reduzir o preço da inferência abaixo do custo de autohospedagem open-source. A precificação segue de assinatura → por uso → por resultado, indicando interesse em abandonar o modelo de cobrança por token para adotar participação verticalizada.
Capacidade computacional: ainda é um gargalo, exigindo escolhas semanais entre treinamento, pesquisa e inferência; a pilha completa é um espectro, não uma dicotomia, e infra própria está aumentando. O ROI é avaliado como a receita já realizada por família de modelos + previsão para próximos 12 meses, comparado ao investimento em capacidade computacional, para verificar se muda drasticamente para o positivo; expansão da margem bruta vem de aumento de receita por gigawatt e redução da curva de custos. Sobre críticas ao excesso de investimentos, ela respondeu que só este ano o retorno foi real.
AMD subiu 6%, impulsionada pela forte demanda por CPUs causada pelos cenários de uso de computação, com CFO e CEO demonstrando confiança na aceleração do MI450/Helios na conferência da Citi, apesar de debates sobre execução. Disseram que a demanda e os embarques previstos para 2027 já superam as projeções iniciais da AMD, com as previsões dos três principais clientes âncora (Meta, OpenAI, Anthropic) acima das expectativas, sendo o limitador do momento a oferta, não a demanda.

Comunicações ópticas (LITE +11% / COHR +7%)
Na conferência de TMT do Citi, dando sequência ao movimento de compra da AMD: a empresa planeja lançar aceleradores no segundo semestre de 2027 que, para domínios de expansão em grande escala (tema tratado em artigo anterior e confirmado pela Corning ao fechar contratos de fibra óptica até 2032: scale-across (interconexão entre data centers) TAM), irão oferecer soluções com cabo de cobre e interconexão óptica próxima ao encapsulamento simultaneamente; cobre e óptica provavelmente coexistirão por várias gerações de produtos, e não haverá uma migração única do setor.
Esta é a primeira vez que um fabricante comercial de GPU apresenta um roadmap claro para integrar comunicações ópticas no domínio interno de expansão (a largura de banda por GPU neste domínio é múltiplas vezes maior que no domínio externo, scale-out), e não apenas no nível de switches. Isso confirma a fala do CEO da LITE na semana passada, de que os próximos 12–18 meses serão cruciais para a aplicação de óptica dentro dos racks de servidores. Além disso, a AWS firmou parceria com a QCOM para fornecer suporte financeiro à interconexão óptica de 1.6T, reforçando essa tendência.
No fórum de tecnologia organizado na semana passada pelo Deutsche Bank, o CEO da Lumentum, Michael Hurlston, também mencionou enxergar o Scale-In como a próxima grande oportunidade: esse é o foco para os próximos 12–18 meses.

AVGO +3.0%
O CEO Hock Tan defendeu, na conferência da Goldman Sachs, a trajetória de US$ 115 a 230 bilhões de receita com IA, afirmando que o gargalo não é o fornecimento de chips, mas sim locais com energia elétrica suficiente, e que a Broadcom já pode garantir capacidade produtiva até 2027.
Sua estrutura de valor é o ponto-chave: para modelos de fronteira, cada gigawatt de energia pode gerar cerca de US$ 30 bilhões de receita recorrente anual, com custo operacional de aproximadamente US$ 10 bilhões; sua estimativa baseada em tokens indica custo global de inferência de US$ 200 bilhões/ano, e receita de modelos de US$ 150 bilhões. Modelos de ponta capturam pelo menos 75% da receita com metade do volume de tokens, enquanto projetos open-source gastam cerca de US$ 100 bilhões para faturar só US$ 30 bilhões; o valor flui para onde a inteligência continua subindo, sendo que o segundo colocado praticamente nada ganha.
Ele também contestou críticas à ciclicidade da plataforma Apollo/Blackstone (considerada como demanda criada pelo financiamento e não um ciclo), detalhando o roadmap de chips de dois para quatro, depois oito chips.
Ações da Applied Materials (AMAT) subiram 4,0%
O CFO Brice Hill disse na conferência da Citi que todos os indicadores apontam para crescimento: em todos os trimestres deste ano, as previsões de oito trimestres rolantes dos maiores clientes continuam subindo; o sistema de rastreamento de fabs cobre mais de 100 fábricas; a taxa de utilização de capacidade de lógica avançada e DRAM está próxima de 100%; o gargalo para ramp-up de capacidade está na construção de salas limpas, não na demanda.
Novo dado importante: a estimativa de nova capacidade de DRAM prevê o início anual de produção de 300 a 400 mil wafers nos próximos anos; cada início de 100 mil wafers equivale a cerca de US$ 1 bilhão em investimento em equipamentos, enquanto atualização/revamp requer apenas um quarto desse valor. Isso justifica ser chamado de um ciclo de investimento de escala maior. Ele também afirmou que o downgrade de especificação de HBM é neutro para demanda por equipamentos, pois o número de sistemas suportados por cada chip de memória está aumentando, e não diminuindo.
ALAB -7%
Impacto negativo do acordo QCOM/AWS: Amazon é o maior cliente da ALAB, mas o negócio com a QCOM visa solucionar gargalos internos de rede usando tecnologia óptica desenvolvida conjuntamente, com taxas de 1.6T, baseada em SerDes e DSP óptico da Qualcomm, justamente nas áreas de condicionamento de sinal/conexão da ALAB (Aries, Taurus, Scorpio). Amazon detém warrants da ALAB desde que o volume de compras de produtos chegue a US$ 6,5 bilhões, mas a QCOM assinou warrants paralelos de US$ 60 bilhões, levando alguns investidores a temerem perda de participação de mercado.
SNDK -0.1%
O CFO Luis Visoso disse ao Citi que o novo modelo de negócios cobre 50% dos bits de armazenamento neste ano, e cobrirá dois terços até 2028, com margem bruta mínima de 80%. Já reabriram dois contratos devido ao interesse dos clientes em aumentar volumes e prazos. O crescimento da oferta é inteiramente impulsionado pelo avanço de nós de processo, sem adição de capacidade de wafers, mantendo a taxa de crescimento de bits do setor em 15–17% ao ano.
Segundo ele, por definição, a demanda não pode superar a oferta. Um novo dado: o modelo de demanda de cache KV por trás da memória flash de alta largura de banda foi revisado para cima em cada atualização recente, com produtos relacionados a serem entregues aos clientes em 2027; dos US$ 5 bilhões em fluxo de caixa livre do último trimestre, US$ 4,5 bilhões foram destinados à recompra de ações.
ANET subiu 0,6%
O CTO Ken Duda e a CFO Chantelle Breithaupt explicaram na conferência da Goldman Sachs a lógica interna do guidance de alta nos resultados: o trabalho da cadeia de suprimentos, somado à visibilidade de pedidos dos dois trimestres até agosto, e os US$ 9,7 bilhões em compromissos de compras, quase triplicados, são sinais de demanda – não inflação.
Horizontal scaling representa cerca de 30% da meta de US$ 3,5 bilhões em IA este ano, pois clientes não conseguem energia suficiente em um único local; o scaling vertical é um mercado inexplorado, onde a ANET quase não tem participação, mas espera ramp-up a partir do final de 2027, com volume já no início de 2028. Os aumentos de preços vão valer apenas para materiais de lista futuros com alta concentração de memória, mantendo a margem neutra. Sobre novos provedores de nuvem, o princípio da CFO é pagamento adiantado ou estão fora, já que nem todos irão prosperar.
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