Receita e lucro da Adobe no terceiro trimestre superam as expectativas; IA impulsiona usuários ativos mensais para mais de 1 bilhão, orientação para o quarto trimestre não é “surpreendente”|Relatório Financeiro
A receita da Adobe no terceiro trimestre fiscal atingiu US$ 6,76 bilhões, um aumento de 13% em relação ao ano anterior, superando a expectativa média dos analistas de US$ 6,7 bilhões; o lucro por ação ajustado pelo critério não-GAAP foi de US$ 6,13, acima da previsão de mercado de US$ 6,08. A empresa elevou a faixa de orientação do EPS ajustado para o ano inteiro para US$ 24,45 a US$ 24,50 e aumentou levemente o limite superior da meta de receita anual. No entanto, a orientação de receita para o quarto trimestre ficou um pouco abaixo das expectativas dos analistas, e as ações caíram cerca de 2% no pós-mercado.
A Adobe divulgou resultados recordes para o terceiro trimestre fiscal, com receita e lucro superando as expectativas de Wall Street. A estratégia “AI-first” continua sendo implementada, e o número de usuários ativos mensais ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 bilhão. Imediatamente, a empresa elevou sua previsão anual de desempenho, mas o guidance de receita para o quarto trimestre ficou um pouco abaixo das expectativas dos analistas, fazendo as ações caírem 2% após o pregão.
Após o fechamento do mercado dos EUA em 10 de setembro, a Adobe divulgou os resultados do terceiro trimestre do ano fiscal de 2026, com receita de US$ 6,76 bilhões, um aumento de 13% em relação ao ano anterior, acima da previsão do mercado de US$ 6,7 bilhões, estabelecendo um novo recorde para o terceiro trimestre da empresa.
O lado do lucro também superou as expectativas; a empresa reportou um lucro por ação (EPS) diluído não-GAAP de US$ 6,13, superior à estimativa dos analistas de US$ 6,08; o lucro GAAP por ação diluída foi de US$ 4,62.
O principal destaque deste relatório financeiro continua sendo a Inteligência Artificial. A Adobe afirmou que sua receita anual recorrente (“AI-first” ARR) cresceu mais de 150% em relação ao ano anterior, demonstrando que funcionalidades como Firefly seguem aumentando sua comercialização em ferramentas de criatividade, produtividade e experiência do cliente corporativo.
Além disso, a empresa anunciou que o número de usuários ativos mensais de suas soluções de criatividade e produtividade ultrapassou 1 bilhão – um importante marco para ampliar a base de usuários via modelo freemium. A empresa também revisou para cima suas metas anuais:
Previsão para o ano fiscal de 2026: Receita total entre US$ 26,576 bilhões e US$ 26,626 bilhões, acima do guidance anterior entre US$ 26,5 bilhões e US$ 26,6 bilhões;
Previsão de EPS não-GAAP anual entre US$ 24,45 e US$ 24,50, aumento em relação ao intervalo anterior de US$ 24,35 a US$ 24,45.
No entanto, o mercado não reagiu com entusiasmo. As ações da Adobe caíram cerca de 2% após o pregão. O principal motivo é que o guidance de receita do quarto trimestre não foi “surpreendente”: a empresa projeta receita de US$ 6,8 bilhões a US$ 6,85 bilhões, limite superior em linha com a previsão dos analistas de US$ 6,85 bilhões, com o valor médio ligeiramente abaixo da expectativa do mercado.

Receita recorde, negócios de assinatura continuam sendo principal motor de crescimento
No terceiro trimestre, a receita total da Adobe foi de US$ 6,76 bilhões, ante US$ 5,988 bilhões no mesmo período do ano anterior, um aumento de cerca de 13%. Excluindo variações cambiais, a receita cresceu 12% ano a ano.
Na análise da estrutura da receita, o segmento de assinaturas ainda é absoluto protagonista:
Receita de assinaturas de US$ 6,582 bilhões, comparado a US$ 5,791 bilhões no mesmo período do ano anterior, alta de cerca de 14%;
Receita de produtos de US$ 67 milhões, basicamente estável;
Receita de serviços e outros de US$ 111 milhões, em queda em relação aos US$ 129 milhões do ano anterior.
A receita de assinaturas representa mais de 97% da receita total, o que evidencia a alta dependência do modelo de negócios da Adobe em receitas recorrentes. A empresa informou que, no fim do terceiro trimestre, seu ARR total era de US$ 27,5 bilhões, refletindo a estabilidade e previsibilidade do negócio de assinaturas.
Por base de clientes, o crescimento foi equilibrado:
Receita de assinaturas de clientes empresariais e pessoais: US$ 1,91 bilhão, crescimento de 16% (crescimento de 15% excluindo variações cambiais);
Receita de assinaturas de profissionais de criatividade e marketing: US$ 4,65 bilhões, aumento de 13% (crescimento de 12% excluindo variações cambiais);
Receita total de assinaturas de todos os grupos de clientes: US$ 6,56 bilhões, alta de 14%.
Os segmentos voltados a profissionais corporativos e consumidores cresceram mais rapidamente, mostrando que ferramentas como Acrobat e Express, focadas em produtividade e criatividade leve, estão expandindo sua base de usuários. Os segmentos tradicionais de profissionais de criatividade e marketing ainda são os principais contribuintes para a receita.
Estratégia de IA acelera, usuários ativos mensais ultrapassam marca de 1 bilhão
No relatório, a Adobe informou que a receita anual recorrente das soluções “AI-first” cresceu mais de 150% ano a ano, tornando-se um dos principais destaques do trimestre.
Ao mesmo tempo, o número total de usuários ativos mensais das soluções de criatividade e produtividade da empresa ultrapassou 1 bilhão, sendo esta a primeira vez na história da Adobe a atingir tal escala.
Embora a Adobe não tenha divulgado o valor específico do ARR “AI-first”, o ritmo de crescimento mostra que as funções de IA estão se tornando relevantes para a receita comercial.
A estratégia de IA da Adobe se concentra principalmente no modelo generativo Firefly, Creative Cloud, Document Cloud e Experience Cloud, buscando aumentar engajamento e conversão paga dos usuários em geração de imagens, vídeo, documentos, automação de marketing e gerenciamento de experiência do cliente.
O CEO Shantanu Narayen afirmou que o desempenho do terceiro trimestre reflete o avanço da Adobe em inovação em IA, expansão de cobertura de clientes, e liderança nos segmentos de criatividade, produtividade e experiência do cliente. Ele destacou especialmente que o marco de 1 bilhão de usuários ativos mensais é um ponto crítico no desenvolvimento da empresa.
O CFO interino Steve Day ressaltou que a empresa está ampliando sua base de usuários através da estratégia de freemium e aprofundando o engajamento com experiências inteligentes.
Lucro acima das expectativas, mas crescimento de despesas pressiona margem GAAP
No lado dos lucros, o lucro líquido GAAP do terceiro trimestre foi de US$ 1,827 bilhão, ante US$ 1,772 bilhão do ano anterior, crescimento de cerca de 3%; o lucro líquido não-GAAP foi de US$ 2,424 bilhões, contra US$ 2,252 bilhões, um aumento de cerca de 8%.
O lucro GAAP por ação diluída no terceiro trimestre foi de US$ 4,62 (US$ 4,18 no ano anterior); o EPS diluído não-GAAP foi de US$ 6,13 (US$ 5,31 no ano anterior), crescimento de cerca de 15% e acima da expectativa de US$ 6,08.
Contudo, em relação à margem de lucro, o crescimento das despesas ainda gera pressão. No terceiro trimestre:
Lucro operacional GAAP de US$ 2,354 bilhões, comparado a US$ 2,173 bilhões em igual período anterior;
Lucro operacional não-GAAP de US$ 2,974 bilhões, ante US$ 2,773 bilhões;
Margem operacional GAAP de aproximadamente 34,8%, abaixo dos 36,3% do ano anterior;
Margem operacional não-GAAP de cerca de 44,0%, menor que os 46,3% do ano anterior.
O crescimento das despesas foi acelerado. Os gastos com P&D atingiram US$ 1,288 bilhão (US$ 1,088 bilhão um ano antes); despesas com vendas e marketing somaram US$ 1,827 bilhão, ante US$ 1,639 bilhão.
Despesas gerais e administrativas foram de US$ 488 milhões (US$ 408 milhões no ano anterior). Investimentos em P&D de IA, infraestrutura em nuvem, marketing e vendas corporativas seguem consumindo parte da alavancagem operacional.
Fluxo de caixa recorde para terceiro trimestre; recompra continua sustentando EPS
O fluxo de caixa operacional da Adobe no terceiro trimestre foi de US$ 2,523 bilhões, um recorde para o período, ante US$ 2,198 bilhões do ano anterior, evidenciando a força do modelo de negócios da empresa.
No terceiro trimestre, a empresa recomprou cerca de 9,5 milhões de ações. Segundo o fluxo de caixa, o montante destinado à recompra de ações ordinárias no trimestre foi de US$ 2,232 bilhões. Com a recompra contínua, o número diluído de ações reduziu de 424 milhões para 395 milhões, sustentando o crescimento do EPS.
Ao final do terceiro trimestre, caixa e equivalentes em caixa totalizavam US$ 4,359 bilhões, com investimentos de curto prazo de US$ 1,28 bilhão, totalizando cerca de US$ 5,639 bilhões. No lado da dívida, dívidas de curto prazo somavam US$ 1,597 bilhão e de longo prazo US$ 4,766 bilhões, totalizando aproximadamente US$ 6,363 bilhões.
Em relação à receita diferida, ao final do trimestre a empresa tinha US$ 7,204 bilhões nesse item, dos quais US$ 7,094 bilhões em curto prazo. As obrigações de desempenho restantes (RPO) totalizavam US$ 22,16 bilhões, dos quais 67% eram obrigações de curto prazo (cRPO), indicando alta visibilidade de receita para os próximos 12 meses.
Guidance anual revisado para cima, mas perspectiva para Q4 é conservadora
A Adobe elevou sua meta anual de receita para um intervalo entre US$ 26,576 bilhões e US$ 26,626 bilhões, ligeiramente acima do guidance anterior entre US$ 26,5 bilhões e US$ 26,6 bilhões.
A previsão de EPS ajustado não-GAAP anual foi revisada para US$ 24,45 a US$ 24,50, acima da faixa original de US$ 24,35 a US$ 24,45. A meta de crescimento do ARR para o ano é de 10,2% em relação ao anterior.
No entanto, sua perspectiva para o quarto trimestre é relativamente cautelosa. O guidance de receita está entre US$ 6,8 e US$ 6,85 bilhões, com valor intermediário de US$ 6,825 bilhões, ligeiramente inferior à expectativa dos analistas de US$ 6,85 bilhões.
A previsão de EPS ajustado não-GAAP para o quarto trimestre é de US$ 6,30 a US$ 6,35, praticamente alinhada com a expectativa de US$ 6,30. O guidance considera o ambiente macroeconômico atual inalterado, com uma margem operacional não-GAAP de aproximadamente 44%.
A queda de aproximadamente 2% nas ações da Adobe após o pregão não significa fraqueza nos resultados. Pelo contrário, receita, EPS, fluxo de caixa e métricas associadas à IA no terceiro trimestre foram sólidos, e a empresa ainda revisou para cima a meta anual.
A questão, porém, é que o foco do mercado mudou de “há ou não produtos de IA” para “quanto de receita incremental a IA pode gerar e em que velocidade isso se refletirá no ARR e nas margens de lucro”. A Adobe divulgou crescimento de mais de 150% no ARR “AI-first” em relação ao ano anterior, mas não informou seu volume, dificultando ao investidor avaliar sua real contribuição frente ao ARR total de US$ 27,5 bilhões.
Além disso, a competição no setor de IA está mais acirrada. A Adobe encerra forte domínio no ecossistema de softwares criativos, mas enfrenta desafios de plataformas nativas de IA generativa, plataformas de design, geração de vídeo e empresas de automação de marketing. O mercado espera que, com a ampliação da base de usuários de IA, a Adobe consiga manter margens elevadas e alavancar o ARPU de assinaturas.
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