Aumentando os investimentos em IA enquanto trabalha para controlar custos! Oracle (ORCL.US) aumentará em mais US$ 700 milhões os custos de reestruturação para o ano fiscal de 2026
A Oracle afirmou em um documento regulatório apresentado na sexta-feira que, como parte de um plano de reestruturação que inclui demissões, seus custos aumentarão em cerca de US$ 700 milhões.
A Brazilian Portuguese Notícias Financeiras informa que, enquanto a Oracle (ORCL.US) investe dezenas de bilhões de dólares para aproveitar as oportunidades criadas pelo aumento da demanda por inteligência artificial (IA), essa gigante da computação em nuvem também busca controlar custos. Em um documento regulatório apresentado na sexta-feira, a empresa afirmou que, como parte de um plano de reestruturação que inclui demissões, seus custos aumentarão cerca de 700 milhões de dólares.
A Oracle declarou que esse aumento de gastos foi divulgado após o encerramento do seu exercício fiscal de agosto e elevará o custo estimado do plano de reestruturação para o ano fiscal de 2026 para cerca de 2,8 bilhões de dólares. A empresa informou que o plano inclui indenizações, taxas de rescisão contratual e outros custos de saída, parte dos quais estão relacionados à introdução de IA em algumas áreas funcionais.
Vale destacar que as demissões ocorrem num momento de volatilidade nas ações da Oracle. Os investidores parecem divididos em duas frentes: um grupo confiante no crescimento impulsionado por IA da empresa e outro preocupado com a forma como esse crescimento será financiado.
No primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, a Oracle registrou uma receita 30% maior na comparação anual, atingindo US$ 19,35 bilhões, acima da média das expectativas dos analistas de US$ 19,13 bilhões. O crescimento da receita foi atribuído ao bom desempenho dos negócios de infraestrutura de nuvem e ao aumento da capacidade dos data centers. O lucro operacional foi de US$ 6,73 bilhões, aumento de 57% em relação ao ano anterior; o lucro líquido atribuível aos acionistas ordinários foi de US$ 4,68 bilhões, alta anual de 60%; o lucro ajustado por ação ficou em US$ 1,92, acima da média da expectativa dos analistas de US$ 1,75.
Por setor de negócios, a receita do segmento de nuvem cresceu 62% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 11,61 bilhões, um recorde histórico e acima da média esperada de US$ 11,52 bilhões. Destacam-se a receita de infraestrutura de nuvem, que aumentou 121% para US$ 7,4 bilhões (acima da estimativa média dos analistas de US$ 7,19 bilhões), e a receita com aplicativos em nuvem, que cresceu 10%, para US$ 4,2 bilhões. Alguns analistas previam anteriormente que, com a demanda crescente de mercado por IA, o ambiente competitivo de preços beneficiaria os negócios de nuvem da Oracle.
A demanda dos clientes por serviços de treinamento e inferência em IA na nuvem continua crescendo, superando a oferta. No primeiro trimestre, a Oracle firmou mais de US$ 30 bilhões em novos contratos de IA em nuvem, elevando as obrigações de desempenho remanescente (RPO) em 4% no trimestre, para US$ 664 bilhões, acima da média dos analistas de US$ 618 bilhões. Segundo a estrutura desses novos contratos, a empresa garantiu que não haverá impacto adicional em seus planos de financiamento. Desde o final do quarto trimestre do ano fiscal de 2026, a empresa também entregou mais de 300.000 GPUs a seus clientes de IA em nuvem, quase três vezes a capacidade entregue no quarto trimestre do exercício fiscal de 2026.
A Oracle afirma que, dentre os US$ 664 bilhões em pedidos em carteira, espera-se que cerca da metade se transforme em receita de vendas nos próximos 36 meses e que a maior parte do faturamento desses novos contratos não exigirá capital próprio da empresa — que recorrerá a pré-pagamentos de clientes e ao uso de chips fornecidos pelos próprios clientes para expandir sua capacidade.
Além disso, o fluxo de caixa livre da Oracle ao final do primeiro trimestre era negativo em US$ 5,4 bilhões, melhor do que a estimativa média dos analistas, compilada pela LSEG, de negativo US$ 9,56 bilhões. A Oracle afirmou que os gastos de capital nos três meses encerrados em 31 de agosto atingiram US$ 28,5 bilhões, em sua maioria destinados a equipamentos para data centers, um valor bem acima da estimativa dos analistas, de US$ 19,23 bilhões.
O analista do Barclays, Raimo Lenschow, escreveu em relatório que, apesar dos gastos de capital acima do esperado, a empresa mostrou bom controle sobre outras despesas, e o déficit do fluxo de caixa livre não é tão grave quanto o mercado temia.
Os analistas da Evercore também destacaram: “Os resultados deste trimestre da Oracle são um passo sólido à frente, trazendo mais equilíbrio à discussão entre investidores sobre a empresa — ela está conseguindo acelerar o crescimento da receita em grande escala. Apesar da preocupação razoável com o grau de endividamento, os pontos positivos do negócio têm sido negligenciados nesse debate.”
Essa sequência de notícias aliviou parte das preocupações do mercado sobre os gastos financiados por dívida, ajudando as ações da Oracle a se recuperarem após um período de desempenho fraco. No entanto, na sexta-feira, as ações chegaram a subir 7,8%, mas depois inverteram o movimento, fechando em queda de cerca de 2%.
Alguns analistas apontam que a melhora no fluxo de caixa da Oracle ainda vai levar tempo. Luke Yang, analista da Morningstar, afirmou: “Embora a Oracle exija que os clientes arquem com parte dos custos de hardware de tecnologia para aliviar a pressão sobre o fluxo de caixa, esperamos que a situação do fluxo de caixa da Oracle não mude no curto prazo.” “Serão necessários vários anos até que (a nuvem) alcance uma receita capaz de sustentar a expansão contínua da capacidade e gerar fluxo de caixa positivo.”
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