Terminei de revisar 390 casos reais de uso do Meta Muse e descobri um fato importante.
Entre estes 390 casos, economizar dinheiro, reembolsos e gestão financeira estão em primeiro lugar, com 77 ocorrências, representando 19,7%.
Alguns fizeram a Muse e o atendimento da Amazon recuperarem reembolsos; outros a fizeram comparar seguros de carro e economizaram 800 dólares por ano; houve quem a fez analisar faturas da AT&T, prevendo uma economia de 1.050 dólares em dois anos; também teve quem a fez escanear e-mails de seis meses e achar uma assinatura esquecida de Claude Max de 100 dólares por mês.
Em segundo lugar estão trabalho e pequenos negócios, com 51 casos, correspondendo a 13,1%.
As pessoas a usam para organizar e-mails de empreendedores, analisar dados do Instagram, montar media kits, criar calendários de conteúdo e buscar leads de vendas locais. Teve até quem nomeou a Muse gerente de projeto e delegou tarefas de desenvolvimento ao Devin.
Em terceiro lugar estão tarefas administrativas, 48 casos, compondo 12,3%.
Preencher formulários de visto, atualizar passaporte, agendar no DETRAN, limpar dezenas de milhares de e-mails, contatar seguradoras, ligar para atendimentos e quitar multas de trânsito.
Essas tarefas não são complicadas, mas são precisamente aquelas das quais as pessoas mais querem se livrar gastando dinheiro.
Em seguida vêm viagens, 45 casos; compras, 44; entretenimento, 39; alimentação e pedidos, 25; gestão de família, 24.
Chatbots comuns dizem o que você deve fazer.
A Muse, porém, abre sites, faz login em contas, compara preços, preenche formulários, entra em contato com empresas, espera resposta e, só quando precisar pagar, mandar e-mail ou alterar uma conta, volta para você confirmar.
O primeiro fornece respostas; o segundo entrega resultados.
É por isso, dentre outras razões, que o mercado de capitais voltou a ouvir Zuckerberg contar a história da “superinteligência pessoal” após o lançamento da Muse.
A Muse foi lançada em 8 de setembro. No mesmo período, o valor da META subiu de cerca de 613 para 670 dólares por ação, um crescimento de quase 9%; apenas no dia 9 de setembro, subiu 6,55%. Calculando por valor de mercado, isso significa mais de 100 bilhões de dólares em uma semana.
A Meta estima gastos de capital de 130 a 145 bilhões de dólares em 2026, quase o dobro de 2025. O que os investidores realmente querem saber não é o quanto a IA ainda pode consumir, mas se esses investimentos podem se converter em usuários, receita e lucro.
As capacidades de IA que a Meta está construindo com muito dinheiro podem cuidar de tarefas complicadas da vida real para você.
Zuckerberg chama a Muse de “IA pessoal para todos” e diz que a Meta quer levar a “superinteligência pessoal” a bilhões de pessoas no futuro.
É uma promessa ousada.
O banco de casos foi coletado ativamente em X, Threads, Instagram e Hacker News, sendo naturalmente mais fácil englobar os primeiros usuários dispostos a compartilhar sucessos. Ele também registra várias falhas: reserva errada de restaurante, falha de monitoramento, criação de CPF falso e tarefas afirmadas como “concluídas” após execuções falhas múltiplas vezes.
Quanto mais útil a Muse fica, mais inevitável se torna a questão da confiança.
Para funcionar, ela precisa acessar e-mail, agenda, registros financeiros, informações de saúde e contas de pagamento. A Meta afirma que os dados da Muse não entram no sistema de anúncios e que criou uma Secure VM dedicada, aprovações de permissão e registro de operações.
No entanto, ainda não há resposta se os consumidores vão confiar à Meta todas as suas vidas digitais.
Por isso, o American Stock Investment Network avalia a Muse da seguinte forma:
Ela ainda não é a “superinteligência pessoal” prometida por Zuckerberg, mas pode ser o primeiro produto de consumo que mostra ao público o real valor de um AI Agent.
O ChatGPT ensinou as pessoas a perguntar para a IA.
A Muse precisa provar se as pessoas estão dispostas a entregar contas e tarefas para que IA execute de fato por elas.
Daqui para frente, não basta apenas olhar downloads. O que realmente define o valor da Muse são três indicadores: taxa de retenção, taxa de conversão para pagamento e quantas tarefas reais os usuários entregam para ela completar toda semana.
Se esses três números não deslancharem, a Muse será apenas um lançamento bonito.
Mas se continuarem crescendo, talvez o mercado precise reavaliar se os mais de 100 bilhões de dólares torrados pela Meta são custo ou bilhete de entrada para o próximo grande canal de consumo.
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