Os altos preços do petróleo impulsionam os negócios upstream! Lucro da Chevron no primeiro trimestre supera expectativas e reafirma meta de recompra entre US$10 bi e US$20 bi
A Chevron (CVX.US), cuja escala operacional só é superada pela ExxonMobil, divulgou na sexta-feira que seus resultados do primeiro trimestre superaram as expectativas consensuais dos analistas de Wall Street, principalmente devido aos preços elevados do petróleo impulsionados pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que beneficiaram seu segmento de upstream. Segundo dados compilados pela LSEG, a empresa reportou um lucro ajustado por ação de US$ 1,41, muito acima da expectativa consensual de US$ 0,95. Apesar do forte desempenho acima das previsões, o lucro total ainda atingiu o nível mais baixo em cinco anos, em parte devido ao impacto negativo relacionado a instrumentos financeiros derivativos.
Em meio a preços elevados do petróleo causados pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio, o maior segmento operacional da Chevron — incluindo atividades de petróleo bruto no upstream — gerou aproximadamente US$ 3,9 bilhões em lucro, um aumento de 4% em relação ao ano anterior, principalmente devido ao aumento das receitas e lucros decorrentes da valorização do petróleo.
Os conflitos geopolíticos no Oriente Médio elevaram significativamente os preços internacionais do petróleo para mais de US$ 110 por barril, mas o impacto sobre os lucros das gigantes de petróleo não foi uniforme. O conflito com o Irã iniciado em 28 de fevereiro causou uma grande perturbação no mercado global de energia. O tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz praticamente parou, resultando em escassez de oferta e impulsionando os preços, fazendo com que o preço futuro internacional do Brent subisse 50% durante o primeiro trimestre.
O CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou em comunicado: "Apesar da intensificação da volatilidade geopolítica e das interrupções relacionadas ao fornecimento de petróleo, a Chevron apresentou um desempenho robusto no primeiro trimestre, evidenciando a resiliência de nosso portfólio operacional e o valor da execução disciplinada."
Durante o primeiro trimestre, de janeiro a março, o lucro líquido totalizou aproximadamente US$ 2,2 bilhões, abaixo dos US$ 3,5 bilhões do mesmo período do ano anterior. No entanto, diferentemente da ExxonMobil, a exposição da Chevron ao tumulto geopolítico no Oriente Médio permanece limitada, representando menos de 5% da produção total. Já cerca de 20% da produção de petróleo e gás da ExxonMobil está localizada com parceiros do Oriente Médio, o que significa que ela tem uma das maiores exposições entre concorrentes do mercado norte-americano.
Desempenho negativo no downstream
Em contrapartida, o segmento de downstream registrou uma perda operacional de US$ 817 milhões, ao passo que, no mesmo período do ano anterior, obteve lucro de US$ 325 milhões. A Chevron afirmou que essa queda se deveu principalmente ao impacto temporal associado às operações de derivativos de hedge, causando um desalinhamento contábil, prevendo que esses efeitos começarão a se reverter no próximo trimestre. A concorrente de maior porte, ExxonMobil, também revelou impactos similares de tempo/eficácia.
A diretora financeira da Chevron, Eimear Bonner, declarou em entrevista que a empresa espera que posições de hedge em petróleo, avaliadas em cerca de US$ 1 bilhão, sejam liquidadas no segundo trimestre, trazendo lucro.
Ela afirmou que, excluindo os impactos temporais típicos desse ambiente volátil, o desempenho operacional básico da Chevron está muito forte. "Podemos ver o aumento do fluxo de caixa, podemos ver o crescimento dos lucros, todos os nossos planos estão avançando como previsto."
A empresa afirmou que, caso os preços do petróleo continuem subindo, podem ocorrer impactos temporais adicionais; e quando os preços caírem, haverá uma "forte reversão".
Exposição operacional limitada no Oriente Médio
Comparada a outras empresas de petróleo e gás norte-americanas, a exposição da Chevron à produção no Oriente Médio é relativamente baixa. A empresa informou que a produção nos Estados Unidos permanece robusta, com mais de dois milhões de barris por dia por três trimestres consecutivos.
Devido à paralisação após o incêndio no campo de Tengiz, no Cazaquistão, a produção do primeiro trimestre caiu ligeiramente em relação aos três meses anteriores, totalizando 3,86 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
Bonner reiterou o objetivo da empresa de alcançar uma taxa de crescimento anual de pelo menos 10% no fluxo de caixa livre ajustado até 2030.
No primeiro trimestre, a Chevron pagou US$ 3,5 bilhões em dividendos e recomprou cerca de US$ 2,5 bilhões em ações. Apesar de o valor das recompras ter sido significativamente menor que no trimestre anterior, Bonner afirmou que a empresa mantém a meta anual de recomprar entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões em ações.
O analista Biraj Borkhataria, do RBC Capital Markets, afirmou em relatório que o desempenho da Chevron foi forte, apesar de alguns investidores poderem se decepcionar pela falta de aumento nas recompras. Ele acrescentou que a capacidade de geração de caixa mais forte este ano pode ajudar a ampliar o programa de recompra de ações no segundo trimestre.
Bonner declarou que a Chevron não deseja ampliar sua recompra de ações com base no aumento recente dos preços da energia, sendo necessário observar um aumento mais duradouro para alterar a estratégia. "Precisamos ver melhorias fundamentais mais persistentes, além de atualizações estruturais de preços, para realizar qualquer ajuste. Por enquanto, estamos satisfeitos com a situação atual."
A empresa informou que o investimento de capital nos três primeiros meses de 2026 foi superior ao do ano passado, parcialmente devido à aquisição da gigante Hess, embora esse aumento tenha sido parcialmente compensado pela redução de gastos na Bacia do Permiano. A administração da Chevron declarou que o investimento de US$ 60 bilhões para adquirir a Hess, junto ao crescimento contínuo na produção do Golfo do México e da Bacia do Permiano nos EUA, garante que a produção da Chevron seja superior à do ano anterior, sendo suficiente para compensar as perdas devido à pausa nas operações na zona isolada entre Israel, Arábia Saudita e Kuwait e devido à paralisação no Cazaquistão.
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