Como Besant está "recomprando títulos do Tesouro dos EUA"? Os primeiros sinais aparecem hoje à noite
Às 23h, horário de Pequim, o Departamento do Tesouro dos EUA divulgará o valor das operações de recompra de títulos do Tesouro de longo prazo, sendo esta a primeira divulgação após o anúncio em 19 de agosto de que o valor das recompras “pelo menos dobraria”. O mercado espera que o valor ultrapasse US$ 4 bilhões, enquanto o Morgan Stanley estima um teto de cerca de US$ 10 bilhões, e a Wrightson ICAP acredita que uma faixa razoável seria entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões. O anúncio será feito algumas horas antes do leilão dos títulos do Tesouro de 10 anos, e tanto um valor acima quanto abaixo das expectativas pode causar volatilidade no mercado.
O plano de recompra de títulos públicos de longo prazo liderado pela Secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, terá um momento crucial esta noite.
O Departamento do Tesouro dos EUA deve divulgar um comunicado hoje à noite detalhando o tamanho exato da operação de recompra de títulos, sendo esta a primeira divulgação desde o anúncio surpreendente de 19 de agosto sobre "pelo menos dobrar a recompra". O mercado finalmente poderá ver qual será a real dimensão da recompra pretendida pelo Tesouro e até onde Janet Yellen está disposta a ir.
Segundo a Bloomberg, o anúncio está previsto para quarta-feira, 9 de setembro, às 11h da manhã no horário de Washington (23h no horário de Pequim). Os títulos contemplados na recompra terão vencimentos entre 10 a 20 anos, e a operação está marcada para quinta-feira, 10 de setembro. O anúncio acontecerá algumas horas antes do leilão dos títulos de 10 anos, momento sensível onde o tamanho da recompra, seja acima ou abaixo das expectativas, pode gerar grande volatilidade no mercado.
Por que Janet Yellen decidiu agir?
Em agosto, os rendimentos dos títulos de longo prazo dos EUA subiram rapidamente, com o rendimento dos títulos de 30 anos atingindo o maior patamar desde 2007.
Durante um evento na Southern Methodist University, no Texas, Janet Yellen explicou abertamente o motivo da intervenção: “O mercado está com uma espécie de 'febre', e eu não quero que ele seja guiado apenas por narrativas.”
Ela detalhou que, em agosto, circulavam rumores de que “os EUA não teriam capacidade de pagar suas dívidas”. Para ela, esses comentários são “absurdos, mas acabaram dominando a narrativa”.
Diante deste cenário, em 19 de agosto o Tesouro anunciou que ampliaria o plano de recompra de US$ 2 bilhões "pelo menos para o dobro" – uma declaração que não seguiu o cronograma trimestral regular, quebrando a tradição de previsibilidade do Tesouro e surpreendendo o mercado.
Disputa sobre o tamanho: US$ 4 bi, US$ 6 bi ou US$ 10 bi?
O principal ponto de atenção do mercado para o anúncio desta noite é: qual será o valor total da recompra?
Janet Yellen não mencionou números, mas suas declarações públicas já elevaram as expectativas dos participantes do mercado, que acreditam que o volume será superior a US$ 4 bilhões.
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Morgan Stanley estima que o limite prático de cada operação é de cerca de US$ 10 bilhões — acima desse patamar, as fontes de recursos (especialmente o saldo de caixa da conta geral do Tesouro) se tornariam restrições importantes.
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Wrightson ICAP, por meio do economista sênior Lou Crandall, considera que US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões seria um ponto de partida razoável, mas admite que, dado o ritmo de mudança da estratégia do Tesouro nas últimas semanas, aumentos mais agressivos não podem ser descartados.
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Crandall também observa que um aumento maior no valor “seria uma admissão de que a declaração feita às pressas em 19 de agosto pelo Tesouro não foi totalmente pensada”.
Os estrategistas do Barclays, Anshul Pradhan e Demi Hu, sugerem uma alternativa: o Tesouro pode optar por um teto flexível — “no mínimo US$ 4 bilhões por operação” — mantendo a flexibilidade, mas sacrificando a clareza do roteiro para o mercado.
O impacto do tamanho é relevante. Segundo cálculos da Wrightson ICAP, se a recompra aumentar para US$ 6 bilhões por operação, a emissão líquida trimestral de títulos acima de 20 anos diminuiria cerca de 27%; se o valor chegar a US$ 10 bilhões, a oferta cairia cerca de 55%.
Momento sensível: como o mercado vai reagir?
O timing do anúncio da recompra é especialmente delicado.
Em 9 de setembro, quarta-feira, o anúncio virá algumas horas antes do leilão do Tesouro de 10 anos, seguido ainda pelo leilão do título de 30 anos na quinta-feira. Se o valor superar as expectativas, pode pressionar os rendimentos de longo prazo para baixo num primeiro momento; se ficar em torno dos US$ 4 bilhões, poderá decepcionar o mercado e aumentar a pressão vendedora.
Hoje, o rendimento dos títulos de 10 anos já está acima do nível do mês passado, próximo da máxima de 2023.
O estrategista macroeconômico da Bloomberg, Brendan Fagan, disse: “Os traders irão reagir em tempo real ao tamanho da recompra; se for acima do esperado, pode ser interpretado como um sinal mais forte por parte do Tesouro, reduzindo inicialmente os rendimentos de longo prazo — embora o valor total do programa ainda seja pequeno em comparação ao mercado geral. O spread de swaps fornecerá retornos de mercado mais claros.”
A expectativa quase unânime no mercado é que surpresas no ritmo ou tamanho das recompras devam aparecer primeiro no spread de swaps de 30 anos, e não diretamente nos rendimentos dos títulos, já que o spread é mais sensível a mudanças na oferta, enquanto o preço dos títulos ainda é guiado por fatores macroeconômicos globais.
Questões maiores ainda sem resposta
Além do valor, o mercado espera mais informações.
No comunicado de 19 de agosto, o Tesouro anunciou que o plano provisório de recompra seria “atualizado posteriormente”, o que até agora não ocorreu. Outro ponto indefinido é a fonte dos recursos para a recompra — o mercado supõe que o Tesouro emitirá mais notas do Tesouro de curto prazo (com vencimento de até 12 meses), mas há quem acredite que será usado o saldo de caixa da Conta Geral do Tesouro.
Diante da ação súbita do mês passado, alguns investidores apostam que o Tesouro não dará mais sinalizações além das específicas para esta recompra, mantendo a abordagem de decisões caso a caso.
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