Lagarde: A alta nos preços de energia não acionará automaticamente um aumento de juros; o Banco Central Europeu tomará decisões com base na inflação e no crescimento econômico gerais.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou aos ministros das finanças da zona do euro que o aumento dos preços da energia não se traduz automaticamente em aperto monetário.
Segundo o aplicativo Zhihui Finance, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou aos ministros das finanças da zona do euro que o aumento abrupto dos preços da energia não se traduz automaticamente em aperto monetário. "As taxas de juro não vão oscilar em sincronia com os preços da energia." Lagarde declarou na sexta-feira, em Dublin: "Porque obviamente, os preços da energia e o seu impacto nos preços também influenciam outros fatores, especialmente crescimento e consumo. Vamos considerar todos esses fatores — mecanismos totalmente sincronizados não são praticáveis na realidade."
Lagarde fez essa declaração após uma reunião informal entre os ministros das finanças da zona do euro na capital da Irlanda. A Irlanda vai assumir a presidência rotativa da União Europeia no segundo semestre de 2026.
A declaração de Lagarde ocorre num contexto de persistentes tensões geopolíticas no Médio Oriente que continuam a abalar o mercado global de energia. Desde o início das hostilidades entre EUA, Israel e Irã, o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do transporte mundial de petróleo e gás natural — esteve quase totalmente fechado, impulsionando aumentos acentuados nos preços da energia.
Em resposta à pressão inflacionária, o Banco Central Europeu implementou em junho o primeiro aumento das taxas de juros em quase três anos, elevando a taxa do mecanismo de depósitos de 2,00% para 2,25%; e aumentou novamente em setembro 25 pontos-base, para 2,5%. A instituição estima uma inflação de 3% em 2026, 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028, todos acima da meta de 2%.
Com a recente alta dos preços do petróleo e do gás natural, espera-se que a inflação suba para cerca de 4%, e os preços de mercado indicam que pelo menos mais três aumentos de 25 pontos-base deverão ocorrer no próximo ano. Alguns dirigentes já sinalizaram estarem prontos para endurecer ainda mais a política, mas recusam revelar publicamente o número exato de subidas dos juros.
As previsões divulgadas pelo Banco Central Europeu na semana passada mostram que o aumento dos preços ao consumidor deverá atingir 3% este ano e 2,5% no próximo, valores bem acima da meta de 2%. Ao mesmo tempo, a economia da região tem mostrado uma resiliência face à guerra no Médio Oriente e ao choque energético subsequente, maior do que se previa.
Após a reunião de política monetária de setembro, Lagarde afirmou que a resiliência económica demonstrada pode prolongar-se até ao terceiro trimestre, com o crescimento económico em 2026 possivelmente ultrapassando a previsão de 0,9%.
"Estamos a adotar uma abordagem cautelosa no enfrentamento da situação atual e já preparámos análises de cenários para avaliar as possíveis consequências de certas variáveis", declarou Lagarde. "Estamos numa posição favorável para responder com base em dados mais completos, informações e números, o que nos permite avaliar melhor as mudanças."
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