O Banco Central do Japão (BOJ) elevou na sexta-feira (18 de setembro) a taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 1,25%, o maior nível desde 1995 e também o sexto aumento de juros desde que encerrou a política de juros negativos em março de 2024. O ritmo deste aumento é o mais rápido desde 1990, marcando uma nova fase para a normalização da política monetária japonesa.
A decisão não foi unânime. Entre os nove membros do comitê, Asada e Sato votaram contra, citando as atuais condições econômicas, refletindo que ainda há divergências internas quanto a um aperto monetário adicional. O iene enfraqueceu logo após o anúncio da decisão, pois o mercado interpretou os dois votos contrários como sinal de maior resistência a futuros aumentos das taxas.
O Banco Central do Japão afirmou, em sua declaração, que continuará elevando as taxas e ajustando o grau de afrouxamento, mas as indicações de orientação prospectiva mudaram pouco em relação à nota de julho, não liberando sinais mais hawkish evidentes. Ao mesmo tempo, o BC enfatizou que, mesmo após o aumento da taxa, o ambiente financeiro permanecerá acomodatício.
Anteriormente, o BOJ elevou as taxas em junho, marca que representa o menor intervalo entre dois aumentos desde 1990. O presidente Kazuo Ueda deve explicar em entrevista coletiva as considerações por trás da decisão e a trajetória esperada das taxas nos próximos meses.
O aumento de 25 pontos-base já havia sido amplamente divulgado pela mídia, e o consenso do mercado era praticamente unânime. No entanto, o conteúdo efetivo do comunicado de política não trouxe sinais mais agressivos — o BC voltou a afirmar que ajustará o grau de estímulo conforme o desempenho da economia e da inflação, mas o texto mantém-se basicamente em linha com declarações anteriores, sem endereçar um aperto mais acelerado.
O BOJ também enfatizou que, mesmo após esta alta dos juros, espera-se que o ambiente financeiro flexível seja mantido, o que, em certa medida, freou interpretações do mercado de que a trilha de política seria excessivamente hawkish.
A declaração destacou especialmente que, prevenir potenciais desvios da inflação do CPI ultrapassando a meta de estabilidade de preços de 2% — e prejudicando a economia — é uma consideração central da política atual. O BC também prometeu julgar os ajustes de forma prudente, com base na probabilidade do cenário-base e em todos os tipos de riscos.
O principal motor deste aumento foi a persistente elevação da pressão inflacionária. O BOJ espera um forte avanço do CPI para a segunda metade do ano fiscal de 2026, superando 2%, com perspectivas inflacionárias de médio e longo prazo também em alta, e a taxa real de juros ainda baixa, agora pressionando os preços ao consumidor.
O conflito prolongado no Oriente Médio somado à alta nos preços do petróleo constitui uma ameaça significativa ao Japão, altamente dependente da importação de energia. Os preços elevados da energia não só impulsionam a inflação, mas também prejudicam a balança comercial.
Mabrouk Chetouane, chefe de Estratégia Global de Mercado da Natixis Investment Managers, afirmou que este aumento "visa principalmente manter o processo de normalização monetária iniciado há vários trimestres", destacando que "o retorno de uma inflação estruturalmente positiva exige do Japão uma clara saída do ambiente de taxas baixas. As expectativas inflacionárias apontadas por pesquisas domiciliares evidenciam a persistência dessas pressões".
A pressão externa também é um fator relevante neste aumento. O governo Trump deixou clara a preocupação com a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e a desvalorização do iene frente ao dólar, pressionando o BOJ a adotar políticas prudentes para conter a inflação e fortalecer o iene.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foi particularmente enfático, declarando publicamente que irá colaborar com o Japão para sustentar o iene e, em reunião com o presidente do BOJ, Kazuo Ueda, pressionou por políticas monetárias eficazes. Na semana passada, o iene alcançou brevemente o maior nível em seis meses, próximo a 152, mas recuou e atualmente está entre 155 e 156.
Os dois votos contrários são um dos sinais mais importantes desta reunião. Asada e Sato atribuíram ao atual quadro econômico a justificativa para se oporem à alta de juros, demonstrando divergências substanciais no comitê de política quanto ao ritmo do aperto.
Para o mercado, isso significa que o caminho de altas dos juros do BOJ enfrenta resistência interna. O iene enfraqueceu após o anúncio, refletindo parcialmente a preocupação dos investidores quanto à incerteza no calendário de futuros aumentos. O avanço dos aumentos de juros dependerá agora dos dados econômicos e do quanto o comitê consegue alinhamento interno.
A expectativa do mercado já era por este aumento de juros. Dados da Totan Research e Totan ICAP mostram que, anteriormente, a precificação da probabilidade do aumento era próxima de 100%, e os sinais hawkish de membros do BC estimularam apostas de que o ritmo das altas se aceleraria.
Contudo, como a orientação prospectiva mudou pouco, o mercado segue com dúvidas acerca da próxima etapa da política. Os investidores agora voltam a atenção à entrevista coletiva de Kazuo Ueda na tarde do próprio dia, em busca de mais pistas sobre as futuras decisões do BOJ relativas aos juros.